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Afinal, advogado tem férias?

Hoje, domingo, 26.07.09, estou em Cabo Frio visitando minha família. Aqui moram minha mãe e minhas duas irmãs, Lilian e Daniela. Até o dia 31, final do mês, estarei ao lado delas, aproveitando todo e qualquer minuto que tiver para estar junto e curtir esse curto, porém valorizado momento de descanso da rotina extremamente dedicada e regrada à petições no escritório.

E como bom mineiro, natural de Belo Horizonte, fui à Praia do Forte e nadei feito criança. Ainda não surfei, o que espero nos próximos dias.

O título do presente tópico não é mera ilustração, mas uma realidade na vida de um advogado. Inclusive, esse assunto, o sagrado direito de férias e o merecido descanso após uma longa jornada diária de trabalho no ano, ou nos primeiros seis meses, é muitas às vezes motivo de brincadeiras pelos profissionais quando se deparam com a situação do elevado número de processos, reuniões, audiências e julgamentos de processos no trabalho. Isso para não dizer também dos telefonemas e os minutos com cada cliente, seja na semana ou no final de semana, no horário do expediente ou até mesmo em altas horas, na madrugada.

Costumo dizer que a vida do advogado é assim, o que aliás não é diferente para outros setores da economia, mas este profissional não tem a seu favor o tempo, pelo contrário, tudo se volta a cumprimentos de prazos, estes tidos como "fatal" em sua vida. Se perder determinado prazo de recurso, parecer, de propor uma ação ou apresentar a defesa do cliente, não tem um acordo ou entendimento com juiz e cliente que faça valer novamente o trabalho perdido, que seja por um minuto após a hora limite do dia para fazer o protocolo da petição. Enfim, estará fadado ao insucesso.

Advogar com emoção não é bom, digo, andar no limite do tempo, mas o que em algumas circunstâncias não há como evitar e deixar de utilizar todo esse tempo precioso de uma rotina altamente frenética de um advogado.

Lembro-me de um dia nos corredores do Fórum em Belo Horizonte, quando uma ex-colega de Faculdade parou pra uma rápida conversa e matar saudades dos tempos de universidade, e indagou-me do que estava achando da profissão, e claro, a alegria de dizer e saber que ambos foram aprovados no Exame de Ordem que a cada dia se torna mais dificultoso. Disse com muita sinceridade a ela, que continuava motivado e mais interessado em dar continuidade, aprender e ampliar o meu conhecimento pela ciência jurídica, e dela, recebi completamente o oposto. Uma pessoa desestimulada e surpresa pela novidade em sua vida ao saber que advogar, é muito mais do que um simples papel impresso com todas letras e vírgulas e todo o conteúdo jurídico aprendido nos 5 (cinco) anos em sala de aula.

Isso foi absolutamente normal pra mim quando ouvi com toda atenção o que ela dizia, afinal, não era do seu conhecimento o cotidiano de um escritório de advocacia, muito menos o de um advogado. Pela inteligência que tem, com tempo isso passa e se tornará uma excelente advogada, mas é preciso vencer o começo, nada fácil...

Volvendo ao assunto ora abordado, sempre fiz um paralelo entre a vida de um médico e do advogado, e isso sempre serviu de estímulo na vida profissional, e levou-me a superar por diversas vezes, noites de madrugada a dentro à frente de um computador ou concentrado em livros jurídicos. Doutro lado, tem o médico que hora ou outra se vê deixando o calor da cama, esposa e filhos para atender uma emergência.

Ironia do destino, afinal, advogado tem férias?


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