Seminário sobre incorporação imobiliária reúne representantes setoriais e foca na proteção do consumidor
STJ
“Espero que o STJ continue
cumprindo o papel de indutor dos debates, tarefa relevante e fundamental para a
nossa atividade principal, que é julgar bem as causas.”
A fala do ministro do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão, um dos coordenadores científicos
do seminário A Incorporação Imobiliária na Perspectiva do STJ: A Proteção do
Consumidor, marcou o encerramento dos debates promovidos no segundo painel do
evento, realizado nesta quarta-feira (25) em Brasília.
O painel, com o tema a “Proteção
dos Consumidores Adimplentes: Interesse Coletivo versusInteresse Individual”,
foi presidido pelo ministro Antonio Saldanha Palheiro e teve como debatedores
os ministros Paulo de Tarso Sanseverino e Isabel Gallotti; a presidente do
Instituto Brasileiro de Política e Direito do Consumidor (BrasilCon), Amanda
Flávio de Oliveira; e o presidente da Comissão Jurídica da Câmara Brasileira da
Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Gama.
Saldanha Palheiro falou sobre a
contribuição da jurisprudência do STJ ao reequilíbrio das relações entre
consumidores e incorporadores, destacando a edição das Súmulas 543 e 602.
Para o ministro, o Código de
Defesa do Consumidor (CDC) protege os direitos dos adquirentes de imóveis, “mas
não temos uma contrapartida de proteção aos fornecedores desses produtos
(incorporadores/empresários), cabendo à jurisprudência do STJ estabelecer esses
limites”.
Realidade social e direito
A ministra Isabel Gallotti
apresentou uma análise da evolução jurisprudencial do tribunal com o advento do
CDC, que, segundo ela, “permitiu maior estreitamento entre o direito e a
realidade social nesses tipos de contrato”.
O ministro Sanseverino destacou
que os debates trataram de questões “altamente delicadas” do setor imobiliário,
sendo praticamente uma audiência pública. Ao tratar sobre a proteção do
consumidor adimplente, o ministro debateu a responsabilidade civil do
construtor na jurisprudência do STJ sob duas perspectivas: a responsabilidade
por inadimplemento contratual e a responsabilidade civil por defeitos
constitutivos.
Sanseverino citou diversos
julgados da corte, incluindo recursos repetitivos acerca de danos emergentes e
lucros cessantes (valores a título de aluguéis), possibilidade de inversão da
cláusula penal ao consumidor, danos morais, flexibilização dos prazos de
garantia e de prescrição, além da solidariedade entre construtor e seguradora.
Amanda Flávio chamou a atenção
para as divergências de linguagem existentes entre o direito, que lida com a
dogmática, as leis e a Constituição, e o setor imobiliário, que lida com “a
realidade fática, a economia”. Ela promoveu tentativa de iniciar um diálogo
entre essas duas visões, “pois não podemos desconsiderar a realidade econômica
e os fatos”.
José Carlos Gama, que é
empresário, trouxe a perspectiva dos construtores aos debates e ressaltou que o
maior problema do mercado está relacionado à rescisão contratual, que, segundo
ele, pode até mesmo tornar inviável a finalização de um empreendimento.
O empresário deu voz a um anseio
da categoria com um pedido de revisão da Súmula 543 do STJ, para que a
devolução de valores aos consumidores após a resolução de contrato de compra e
venda possa ser feita em prazo maior, e não de imediato.
Avaliações
O terceiro e último painel foi
encerrado pelos coordenadores científicos do evento, o ministro Luis Felipe
Salomão e o desembargador Werson Rêgo, do Tribunal de Justiça do Rio de
Janeiro. Contou também com a participação do presidente da CBIC, José Carlos Martins.
De acordo com Salomão, o STJ tem
a “missão relevantíssima” de estabelecer as condições para o “funcionamento
equilibrado do mercado privado”, ao propiciar segurança jurídica na execução
dos contratos. Para ele, ao induzir esses debates, o tribunal contribui para a
realização de sua função precípua, que é o julgamento das lides.
Werson Rêgo mostrou-se satisfeito
com a qualidade das exposições. “Nosso objetivo desde o início foi o de
fomentar o debate”, afirmou. Segundo ele, o melhor caminho para resolver
problemas complexos instalados na sociedade e na economia, conciliando a
solução com o respeito aos direitos do consumidor, “passa necessariamente por
um amplo e transparente diálogo”.
José Carlos Martins considerou
“histórico esse grau de diálogo que tivemos hoje, essa abertura de cada um
poder falar o que entende e trazer a sua perspectiva”.

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